Cotidiano

Adeus, Agosto

09.01.18

Je ne sais quoi, mas sempre tenho a sensação de que o mês de Agosto é um mês extremamente confuso e caótico. Talvez sejam as férias, o fato de que é final de ano letivo, o calor. Ou talvez alguém que entenda de astrologia consiga apontar algum problema no meu mapa astral e o alinhamento dos planetas justifique essa doidera toda.

Esse Agosto em particular conseguiu se superar. Foram dias de “tá tudo ótimo” intercalados com uns dias de ansiedade extrema, crise existencial e uns pensamentos bem escrotos que surgiam do nada pra sabotar minha sanidade. Fazia tanto tempo que não tinha que lidar com isso que fui pega meio desprevenida e tô tendo que reaprender a buscar e manter o equilíbrio dentro de mim. Ao menos os dias bons superaram em número os dias ruins, mas graças a Deus que o mês acabou e com sorte Setembro leva embora esse estresse todo de uma vez por todas que eu realmente só quero um pouco de paz.

Agosto trouxe também uma onda de calor bizarra e insuportável. Com direito a ser acordada com alerta de risco de incêndio, empenar a porta de casa e quase me deixar trancada, ver as ruas vazias no verão pela primeira vez desde que me mudei pra cá e cogitar se seria possível dormir dentro de uma geladeira. Quando o calor felizmente passou, a vontade que deu foi de sair cantando pelas ruas.

Me dei conta que foi o último mês completo de um verão que, tirando a onda de calor citada, até que foi bem tranqüilo para os parâmetros ibéricos.

Em Setembro tem o equinócio do outono – minha estação favorita – e mais um motivo para me empolgar em deixar Agosto para trás. Comprei até uma mini-chaleira nova, já pensando em temperaturas mais amenas, dias mais curtos e momentos de folga que poderão ser aproveitados com uma caneca nas mãos, uma manta quente, gata no colo e algum seriado bobo no computador.

Apesar dos perrengues, Agosto não foi um mês ruim de todo.

Tive a oportunidade de passar uns dias com a família e pela primeira vez na vida terminar uma partida de Banco Imobiliário (fiquei em segundo lugar, perdi justamente pro meu irmão que pensa em ser economista). Teve cafofo cheiroso (um oferecimento do home spray da Zara Home em queima de estoque), limpinho e uma Monica Geller interior bastante satisfeita consigo mesma. Me distrai bastante jogando Skyrim e Fallout 4 porque estava saudosista. Teve muito chá gostoso recebido pelo correio, receitas que deram certo, dias de sol com céu azul, e uma ida a IKEA que rendeu uma mesa nova de jantar na sala (e que já virou a nova mobília favorita da Lola), estantes na cozinha e claro que: plantinhas novas.


Agosto também foi acompanhado de uma saudade enorme e inexplicável de Game of Thrones, que me levou a comprar esse chaveirinho super fofo do Jon Snow e a tomar a decisão de ler A Song of Ice and Fire desde o primeiro volume. Enquanto HBO não libera episódios novos, a gente se vira como pode, mesmo que isso signifique carregar esse pequeno tijolo por aí.

Esse post talvez tenha sido tão confuso quanto o mês, mas eu acho sempre bom encerrar um capítulo antes de começar o próximo com o pé direito.

Literatura

Os Primeiros 8 de 2018

08.17.18

  1. Cem anos de Solidão Gabriel Garcia Márquez
    Quis começar o ano e a meta de leitura com um escritor sulamericano, escolhi Gabriel Garcia Márquez e não me arrependi. Cem Anos de Solidão acompanha as diversas gerações da família Buéndia e seus inúmeros Aurelianos e José Arcadios. Achei que lá pro final o livro começa a se tornar um pouco cansativo. E ainda assim, quando cheguei a última página, fiquei triste da minha estadia na aldeia fictícia e mágica de Macondo ter chegado ao fim.
  2. A Scanner Darkly Philip K. Dick
    Eu não sabia – ou não lembrava – que gostava tanto de ler ficção científica até encontrar Philip K. Dick. A Scanner Darkly acompanha um policial infiltrado em um grupo de viciados numa nova droga recreativa chamada Substância D. O livro em si é uma viagem bem louca, cheia de personagens interessantes. A Scanner Darkly rendeu uma adaptação pro cinema com Keanu Reeves, Robert Downey Jr. e a Winona Ryder que eu também recomendo e que é igualmente louco.
  3. O Retrato de Dorian Gray Oscar Wilde
    Ainda bem que li esse livro no kindle, porque de dois em dois segundos esbarrava numa citação que queria destacar. Se fosse livro físico estaria todo riscado no momento. Leitura bem rapidinha sobre a essência do ser humano, a vaidade, consequências e o cuidado que devemos tomar com quem damos ouvido.
  4. The Black Echo Michael Connelly
    Primeiro livro da série sobre o detetive Harry Bosch (que recentemente virou um seriado produzido pela Amazon). Não costumo ter muita paciência pra livros policiais, mas a escrita do Michael Connelly me conquistou porque é uma narrativa rápida, sem muito enrolação, e a ação é narrada de uma maneira que enquanto lê, você é capaz de dirigir a cena na sua cabeça. Depois que tive tempo para realmente começar a ler, não larguei até acabar porque queria saber o desfecho do mistério.
  5. Me Chame Pelo Seu Nome André Aciman
    Não sei exatamente o que me fez pegar esse livro, mas que bom que peguei. É um desses livros que te tira da sua realidade e te transporta para outra. Estava super atolada de trabalhos, mas toda vez que abria esse livro, eu de repente estava de férias em uma ilha italiana nos anos 80, vivendo um romance de verão. Muito gostosinho de ler.
  6. A Amiga Genial Elena Ferrante
    A série napolitana estava há um tempão no meu kindle, mas confesso que só me empolguei realmente para ler porque queria continuar minhas férias literárias na Itália. Incrível a habilidade da Elena Ferrante de te fazer sentir parte da infância de duas meninas em Nápoles. Me encantei pela Lila e pela Lenù, fiquei feliz por elas, sofri por elas, me preocupei com elas e terminei A Amiga Genial já procurando a sua continuação.
  7. História do Novo Sobrenome Elena Ferrante
    Infelizmente tenho que confessar que o segundo livro, sobre a adolescência das duas meninas, não me conquistou da mesma maneira. Na verdade, me deu até um certo desconforto. Percebi que o livro estava me causando mal estar (talvez não estivesse numa boa fase mentalmente para lê-lo) e terminei mais porque queria encerrar logo a leitura e seguir para coisas mais leves do que por querer saber o seu desfecho.
  8. Do Androids Dream of Electric Sheep? Philip K. Dick
    Um professor pediu que fizéssemos um trabalho sobre Blade Runner e eu aproveitei o embalo pra ler o livro do Philip K. Dick que inspirou o filme. Apesar da versão literária e a versão cinematográfica serem bastante diferentes em alguns muitos pontos, nada me impediu de imaginar o Deckard como o Harrison Ford jovem, porque qualquer desculpa é uma boa desculpa para imaginar o Harrison Ford jovem. Não acho que uma versão seja superior a outra porque o livro e o filme abordam a questão dos andróides e a da empatia de maneiras diferentes.

Estou terminando agora de ler Moneyball (forever a louca dos esportes) e implorando aceitando sugestões para os próximos livros. De livrinhos de romance jovem adulto a verdadeiras enciclopédias de tragédia russa, a mente tá aberta para explorar qualquer tipo de literatura que queiram indicar.

Cotidiano

(Re) Recomeçar

07.16.18

Ilustração da Minna So

Obviamente que nessa de ficar migrando o blog de um lado pro outro, alguma hora ia dar merda, certo? Deu. Fiquei com preguiça de ajeitar os posts um por um e achei melhor deixar os posts antigos guardados com muito carinho no blogger e aproveitar para (re)recomeçar aqui do zero.

Então vamos citar umas novidades aleatórias pra parecer que esse post tem algum propósito?

Eu voltei a ler a sério e isso me trouxe uma felicidade enorme. Foi um reencontro com a minha infância: eu era uma criança que vivia com a cara enfiada em algum livro. Nunca perdi o hábito de comprá-los – minhas estantes estão aí de prova –, mas achava que o amor pela literatura tinha morrido de vez depois de ter sido brevemente ressuscitado pela aquisição do Kindle e de uns romances novos de Irvine Welsh. Aí na virada do ano eu decidi que ia voltar a ler sim e acho que nesses primeiros seis meses li mais livros que nos últimos seis anos. Não só lembrei o quanto é bom a gente se perder por entre páginas – físicas ou digitais –, como percebi que era pura questão de hábito.

Também voltei a escrever num diário que é mesmo diário – ou é sempre que dá. Toda vez que preciso de um pouco de perspectiva ou de paz de espírito, eu me pego relendo páginas antigas e percebendo que nada é tão ruim quanto a gente imagina, que tudo passa, e que as coisas boas acontecem quando a gente menos espera, ou quando nem espera por nada.

Comprei um moedor de café realmente bom e meu Deus do céu, é um caminho sem volta. Ou um caminho com uma volta que eu imagino ser meio triste. Cheirinho de café recém moído e recém passado logo de manhã cedo é felicidade, conforto e aconchego tudo junto.

Zerei Dragon Age: Inquisition (finalmente) e considero isso uma pequena vitória pessoal porque quem me conhece sabe que eu tenho dificuldades de lidar com finais definitivos de coisas que eu gosto. O único outro jogo que eu tinha zerado na vida tinha sido Fallout 4, e foi meio que sem querer porque não percebi que era a última missão. Risos. Aproveitando o parágrafo sobre jogos, ando louca de vontade de jogar The Sims, ainda mais depois desse post da Ba.

Depois do trabalho todo que deu migrar esse blog de volta pro wordpress veremos se eu tomo vergonha na cara e apareço aqui com mais frequência? O fato de que eu possivelmente entre de férias semana que vem colabora para que sim. Aguardaremos.