Cotidiano

Sobre Acidentes Positivos

05.06.19

tl;dr: eu deletei minha conta do twitter sem querer e após o período inicial de luto rolou uma paz inesperada.

Ultimamente ando bastante desanimada com redes sociais. Não tem nada acontecendo na minha vida que eu sinta necessidade de compartilhar e estar constantemente sendo bombardeada por imagens da vida dos outros estava me fazendo mal. Coisa demais para acompanhar, coisa demais para comparar – mesmo inconscientemente -, coisa demais e ponto final.

Desativei o instagram, desativei o twitter, sumi de qualquer tipo de presença virtual (e peço desculpa desde já as amigas, mas juro que foi necessário).

O plano era reativar o twitter antes dos 30 dias, nem que fosse para desativar de novo, apenas para não perder dez anos de tweets e contatos. Só que na confusão de final de semestre e de outras coisas que estavam rolando na minha vida, eu esqueci… Quando lembrei já era tarde. Tentei fazer login com o username, com o email, mas a toa. Não vou mentir e dizer que não doeu, porque doeu. Muita gente cuja minha única forma de contactar era o twitter simplesmente sumiu da minha vida e rolou um baita luto na hora que percebi. Mas a merda já foi feita e agora a vida segue.

Eu não sou da filosofia de que fire is bad, technology is evil, e não acredito que as redes sociais sejam inerentemente negativas. Só sei que no meu caso, tirar esse tempinho para filtrar melhor o quanto de informação vai ser despejada no meu cérebro me fez muito bem. Mais do que eu imaginava.

Tenho tido mais tempo para me entender melhor e para dedicar mais a mim mesma. Voltei a gostar de música tanto quanto quando eu era uma pré-adolescente fanática por bandas indie e Red Hot Chili Peppers. Voltei a acompanhar F1 e adquiri uma nova paixão por MotoGP (a louca dos esportes não me abandona nunca). Voltei a ler e a vontade de escrever passou a ser quase uma necessidade de botar pra fora tanta coisa que anda fluindo na alma. Consegui ter paciência de sentar para assistir muitos dos filmes que estavam eternamente na minha lista de “quero assistir”. E realizei diversas das minhas resoluções que ano após ano nunca eram cumpridas, inclusive a de começar a aprender alemão.

Pretendo – eu acho – voltar para as redes sociais em algum momento, mas de uma maneira mais tranquila. Sabendo que minhas vivências tem importância, mesmo que não estejam registradas em amontoados de pixels disponíveis e acessíveis vinte e quatro horas por dia, mesmo que sejam presenciadas só por mim.

Acredito também que seja natural do ser humano querer compartilhar. Querer deixar alguma marca no mundo, sua visão, sua mão na parede da caverna, um sinal de que esteve aqui. Mas quero compartilhar com mais carinho, com mais intuito e com mais prazer, e não como uma forma de validar a minha existência.

P.S.: Se você for uma das pessoas com quem eu tinha contato apenas pelo twitter/IG e por algum motivo estiver lendo isto, favor dar sinal de vida. Tô feliz de ter perdido o twitter, mas ainda triste de ter perdido vocês.

Cotidiano

Adeus, Agosto

09.01.18

Je ne sais quoi, mas sempre tenho a sensação de que o mês de Agosto é um mês extremamente confuso e caótico. Talvez sejam as férias, o fato de que é final de ano letivo, o calor. Ou talvez alguém que entenda de astrologia consiga apontar algum problema no meu mapa astral e o alinhamento dos planetas justifique essa doidera toda.

Esse Agosto em particular conseguiu se superar. Foram dias de “tá tudo ótimo” intercalados com uns dias de ansiedade extrema, crise existencial e uns pensamentos bem escrotos que surgiam do nada pra sabotar minha sanidade. Fazia tanto tempo que não tinha que lidar com isso que fui pega meio desprevenida e tô tendo que reaprender a buscar e manter o equilíbrio dentro de mim. Ao menos os dias bons superaram em número os dias ruins, mas graças a Deus que o mês acabou e com sorte Setembro leva embora esse estresse todo de uma vez por todas que eu realmente só quero um pouco de paz.

Agosto trouxe também uma onda de calor bizarra e insuportável. Com direito a ser acordada com alerta de risco de incêndio, empenar a porta de casa e quase me deixar trancada, ver as ruas vazias no verão pela primeira vez desde que me mudei pra cá e cogitar se seria possível dormir dentro de uma geladeira. Quando o calor felizmente passou, a vontade que deu foi de sair cantando pelas ruas.

Me dei conta que foi o último mês completo de um verão que, tirando a onda de calor citada, até que foi bem tranqüilo para os parâmetros ibéricos.

Em Setembro tem o equinócio do outono – minha estação favorita – e mais um motivo para me empolgar em deixar Agosto para trás. Comprei até uma mini-chaleira nova, já pensando em temperaturas mais amenas, dias mais curtos e momentos de folga que poderão ser aproveitados com uma caneca nas mãos, uma manta quente, gata no colo e algum seriado bobo no computador.

Apesar dos perrengues, Agosto não foi um mês ruim de todo.

Tive a oportunidade de passar uns dias com a família e pela primeira vez na vida terminar uma partida de Banco Imobiliário (fiquei em segundo lugar, perdi justamente pro meu irmão que pensa em ser economista). Teve cafofo cheiroso (um oferecimento do home spray da Zara Home em queima de estoque), limpinho e uma Monica Geller interior bastante satisfeita consigo mesma. Me distrai bastante jogando Skyrim e Fallout 4 porque estava saudosista. Teve muito chá gostoso recebido pelo correio, receitas que deram certo, dias de sol com céu azul, e uma ida a IKEA que rendeu uma mesa nova de jantar na sala (e que já virou a nova mobília favorita da Lola), estantes na cozinha e claro que: plantinhas novas.


Agosto também foi acompanhado de uma saudade enorme e inexplicável de Game of Thrones, que me levou a comprar esse chaveirinho super fofo do Jon Snow e a tomar a decisão de ler A Song of Ice and Fire desde o primeiro volume. Enquanto HBO não libera episódios novos, a gente se vira como pode, mesmo que isso signifique carregar esse pequeno tijolo por aí.

Esse post talvez tenha sido tão confuso quanto o mês, mas eu acho sempre bom encerrar um capítulo antes de começar o próximo com o pé direito.

Literatura

Os Primeiros 8 de 2018

08.17.18

  1. Cem anos de Solidão Gabriel Garcia Márquez
    Quis começar o ano e a meta de leitura com um escritor sulamericano, escolhi Gabriel Garcia Márquez e não me arrependi. Cem Anos de Solidão acompanha as diversas gerações da família Buéndia e seus inúmeros Aurelianos e José Arcadios. Achei que lá pro final o livro começa a se tornar um pouco cansativo. E ainda assim, quando cheguei a última página, fiquei triste da minha estadia na aldeia fictícia e mágica de Macondo ter chegado ao fim.
  2. A Scanner Darkly Philip K. Dick
    Eu não sabia – ou não lembrava – que gostava tanto de ler ficção científica até encontrar Philip K. Dick. A Scanner Darkly acompanha um policial infiltrado em um grupo de viciados numa nova droga recreativa chamada Substância D. O livro em si é uma viagem bem louca, cheia de personagens interessantes. A Scanner Darkly rendeu uma adaptação pro cinema com Keanu Reeves, Robert Downey Jr. e a Winona Ryder que eu também recomendo e que é igualmente louco.
  3. O Retrato de Dorian Gray Oscar Wilde
    Ainda bem que li esse livro no kindle, porque de dois em dois segundos esbarrava numa citação que queria destacar. Se fosse livro físico estaria todo riscado no momento. Leitura bem rapidinha sobre a essência do ser humano, a vaidade, consequências e o cuidado que devemos tomar com quem damos ouvido.
  4. The Black Echo Michael Connelly
    Primeiro livro da série sobre o detetive Harry Bosch (que recentemente virou um seriado produzido pela Amazon). Não costumo ter muita paciência pra livros policiais, mas a escrita do Michael Connelly me conquistou porque é uma narrativa rápida, sem muito enrolação, e a ação é narrada de uma maneira que enquanto lê, você é capaz de dirigir a cena na sua cabeça. Depois que tive tempo para realmente começar a ler, não larguei até acabar porque queria saber o desfecho do mistério.
  5. Me Chame Pelo Seu Nome André Aciman
    Não sei exatamente o que me fez pegar esse livro, mas que bom que peguei. É um desses livros que te tira da sua realidade e te transporta para outra. Estava super atolada de trabalhos, mas toda vez que abria esse livro, eu de repente estava de férias em uma ilha italiana nos anos 80, vivendo um romance de verão. Muito gostosinho de ler.
  6. A Amiga Genial Elena Ferrante
    A série napolitana estava há um tempão no meu kindle, mas confesso que só me empolguei realmente para ler porque queria continuar minhas férias literárias na Itália. Incrível a habilidade da Elena Ferrante de te fazer sentir parte da infância de duas meninas em Nápoles. Me encantei pela Lila e pela Lenù, fiquei feliz por elas, sofri por elas, me preocupei com elas e terminei A Amiga Genial já procurando a sua continuação.
  7. História do Novo Sobrenome Elena Ferrante
    Infelizmente tenho que confessar que o segundo livro, sobre a adolescência das duas meninas, não me conquistou da mesma maneira. Na verdade, me deu até um certo desconforto. Percebi que o livro estava me causando mal estar (talvez não estivesse numa boa fase mentalmente para lê-lo) e terminei mais porque queria encerrar logo a leitura e seguir para coisas mais leves do que por querer saber o seu desfecho.
  8. Do Androids Dream of Electric Sheep? Philip K. Dick
    Um professor pediu que fizéssemos um trabalho sobre Blade Runner e eu aproveitei o embalo pra ler o livro do Philip K. Dick que inspirou o filme. Apesar da versão literária e a versão cinematográfica serem bastante diferentes em alguns muitos pontos, nada me impediu de imaginar o Deckard como o Harrison Ford jovem, porque qualquer desculpa é uma boa desculpa para imaginar o Harrison Ford jovem. Não acho que uma versão seja superior a outra porque o livro e o filme abordam a questão dos andróides e a da empatia de maneiras diferentes.

Estou terminando agora de ler Moneyball (forever a louca dos esportes) e implorando aceitando sugestões para os próximos livros. De livrinhos de romance jovem adulto a verdadeiras enciclopédias de tragédia russa, a mente tá aberta para explorar qualquer tipo de literatura que queiram indicar.